
Dor...
Será que alguém sabe o que isso é? Será que alguém consegue sequer imaginar o que realmente é? Será a dor meramente psicológica? Será que a conseguimos controlar? Será que não passa tudo de uma reacção em cadeia provocada pelo nosso sistema nervoso?
Quem sabe...
Será que um soldado ferido em combate se sente mais "dorido" do que uma pessoa cujo coração se encontra literalmente "partido" aos bocados? Será que os dois não se importavam de trocar? Qual seria a que doía menos? A que deixaria menos marcas?
Quanto a mim, não restam dúvidas nenhumas…prefiro, mas de longe, a chamada dor “física”. Essa ao menos custa no momento mas, passado um bocadito, desaparece e se deixar algumas mazelas podem até nem ser tão graves como isso…
Agora…a dor psicológica…mais concretamente aquela dor que sentimos no peito…no coração…essa é, para mim, a pior de todas… é uma dor que, infelizmente, nunca estamos preparados para a receber, nunca estamos à espera que nos bata à porta e, pior que isso, é algo que nos vai remoendo e comendo por dentro todos os dias (como se ao pequeno-almoço bebêssemos um bocado de ácido…) e que tem como única cura conhecida (pelo menos que eu saiba…) o tempo…o passar de todas as horas…todos os minutos…todos os segundos…sempre a pensar no mesmo…sempre a olhar para trás…na esperança de que quando acordemos no outro dia já nao pensemos no mesmo...
É daquelas partidas que a vida nos prega…rasteiras que, quem sabe, com o passar do tempo poderão passar a diminuir e, talvez, um dia, desaparecer…É difícil…mas…os problemas difíceis tornam-se fáceis...são os impossíveis que nos levam mais um bocado de tempo...certo?
Uma coisa é certa...é uma situação revoltante bolas…passamos um tempo indeterminado a investir numa relação…em algo em que acreditamos cegamente...em que aprendemos a acreditar…em algo que pensamos que vai ser uma história com princípio meio e fim…para depois tudo acabar assim…sem mais nem menos…
Tanto tempo investido…tantos sonhos…tanto amor…tanto carinho…tanta paciência...tanta compreensão…para depois...assim...de um momento para o outro...
Qual será a razão? Falta de entusiasmo? Falta daquela chama? Mentiras? Desconfianças?
Qualquer uma delas nos deixa pior que estragados é certo…de rastos…mas, acho que, mesmo assim a pior de todas é uma outra… É aquela parte em que entra o/a chamado/a empata ****…aquele/a que passa por santinho, por um/a gajo/a 5*** mas que depois à medida que o tempo passa nos apercebemos que não fez outra coisa senão lixar-nos a vida…pessoas sem ponta de carácter…sem pingo de vergonha na cara…pessoas que sinceramente nem percebo como conseguem chegar à noite e dormir de consciência tranquila… Essa personagem consegue fazer com que todas as outras causas venham ao de cima. Pode continuar a haver amor…pode continuar a haver vontade de…mas por muito forte que seja a relação entre o casal, a confiança no outro e o medo de voltarmos a ser enganados e traídos vem sempre ao de cima…porque quer queiramos quer não as coisas só acontecem se nós o permitirmos…e por muito que me custe dizer isto…se um amigo me pisa e depois me pede desculpa o máximo que lhe posso dizer é... ”pa...claro que te desculpo…mas já me pisaste não já?”.
Pode ser do meu feitio mas quanto a isso...temos pena...
As desculpas não se pedem…evitam-se…e eu acho que podias muito bem tê-las evitado…Não as evitaste porque no fundo não te apetecia…no fundo estavas-te nas tintas para mim…para nós…e para o que tínhamos construído… e quem me garante que no futuro não voltas a fazer o mesmo? Eras a pessoa por quem punha as mãos no fogo e não tinha receio de me queimar… Afinal…não foi bem assim…em vez de me protegeres, não…foste mesmo tu quem acendeu o primeiro fósforo…
Ficou a amizade? Não sei…só o tempo o poderá dizer…