
"Deus abençoe os pais maus!
Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva um pai, eu hei-de dizer-lhes:
- Amei-vos o suficiente para ter insistido para que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidades de a comprar;
- Amei-vos o suficiente para ter ficado em pé junto de vós, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto - trabalho que eu teria realizado em quinze minutos;
- Amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que ''tiraram'' da mercearia e dizer ao dono: eu roubei isto ontem e hoje queria pagar;
- Amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso amigo não era boa companhia;
- Amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração;
- Amei-vos o suficiente para vos deixar ver a fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos;
- Mas, acima de tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO, quando sabia que me iriam odiar por isso.
Estou contente. Venci, porque no final vocês também venceram. E qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês irão dizer-lhes, quando eles vos perguntarem, se os vossos pais eram maus, que sim, que eram os piores pais do mundo!, porque:
- Enquanto os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço, nós tinhamos que comer cereais, tostas e ovos;
- Os outros miúdos bebiam pepsis ao almoço e comiam batatas fritas, enquanto nós tinhamos que comer sopa, prato e fruta. E, não vão acreditar!, os nossos pais obrigavam-nos a jantar, o que era bem diferente dos outros pais;
- Nós tinhamos vergonha de admitir mas eles violaram uma data de leis do trabalho infantil: nós tinhamos de fazer as camas, lavar a loiça, aprender a cozinhar, aspirar o chão, engomar a nossa roupa, ir despejar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Eu acho que eles nem dormiam, a pensar em mais coisas para nos mandar fazer;
- Enquanto toda a gente podia sair com doze ou treze anos, nós tivemos que esperar pelos dezasseis;
- Por causa dos nossos pais, nós perdemos experiências fundamentais da adolescência: nenhum de nós esteve alguma vez envolvido em actos de vandalismo, em roubos, violação de propriedade, nem foi preso por algum crime;
Foi tudo por causa deles.
Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos ''maus pais'' tal como os nossos pais os foram.
Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes maus pais."
E os senhores que acham? Ainda a odiar os papás? :)
Este texto foi escrito numa coluna de um jornal diário. Descansem, não estou a plagiar já que a própria jornalista diz que não foi ela a autora.

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